Cinco poemas de Casa dos Ossos

por Prisca Agustoni


 
Prisca Agustoni é poeta, narradora e tradutora. Nasceu em Lugano, na Suíça italiana, e morou em Genebra, onde se formou em letras hispânicas e  filosofia.  Escreve e publica seus textos em italiano, francês e português, tanto no Brasil quanto na Itália e França. Suas mais recentes publicações são Un ciel provisoire (Genebra, Samizdat, 2015), Hora Zero ( SP, Patuá, 2016), Casa dos ossos (JF, Macondo, 2017) e Animal Extremo (SP, Patuá, 2017). Os poemas aqui publicados são parte do livro Casa dos Ossos publicado pela Editora Macondo.


 
vamos lentos em direção ao corpo
não o meu
não o seu
: o outro, aquele que não estava aqui
apesar do seu rastro
 

 _ 

 

o roçar de palavras
acende a estrela-guia
                      do corpo:
 
dedos e unhas
na ponta de cada sílaba
são facas sutis que adentram
          a língua
para expelir
os unguentos oleosos
do texto
 
_



A cidade opaca espia o corpo
que se multiplica
: abraços quase palavras,
dedos como insetos,
desaparecem com a luz.
Pouco além da porta
rastejam os verbos
entre a língua e o hímen
     
        
_



Celebramos um pacto.
Os lábios maduros sangram
e a mão afasta seu alvo:
as senhas não abrem o corpo,
são dígitos sem memória.
 
 
Celebramos um pacto
 
abrindo as rubras veias da noite.


_


olhos que roçam o desejo
amadurecem rápido:
 
onde está o resto do corpo
se apenas sinto os dedos
 
alfinetarem o verbo?
 
 
 


Postado originalmente no dia 10 de Julho de 2017 às 18:42

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