Nydia Bonetti e as Vozes do Silêncio

por Nydia Bonetti


Nydia Bonetti, 1958, engenheira civil, Piracaia, SP, onde reside. Tem poemas publicados em diversas revistas e sites literários e culturais: Zunái – Revista de Poesia e Debates, Eutomia – Revista de Literatura e Lingúistica, Germina Literatura, poesia.net, de Carlos Machado, Mallarmargens, Revista [LIMBO], Llibre del Tigre (Espanha), Revista Acrobata nº 3, NERVAL, entre outras. Faz parte da coletânea QASAÊD ILA FALASTIN (Poemas para a Palestina), Selo ZUNAI e da antologia “29 de abril: o verso da violência”.
Publicada em 2012, pela Coleção Poesia Viva, do CCSP – Centro Cultural São Paulo, antologia Desvio para o vermelho (Treze poetas brasileiros contemporâneos), organizada por Marceli Andresa Becker. Também em 2012 pelo Projeto Instante Estante, de incentivo à leitura, curadoria de Sandra Santos, Castelinho Edições (RS) – Título: Minimus Cantus. Lançou seu livro SUMI-Ê, em janeiro 2014 – Editora Patuá. Lançará em 2017 seus 2º livro, ‘de barro e pedra”, pela Editora Urutau. Os poemas aqui publicados fazem parte de uma série inédita cujo título provisório é 'Todas as vozes / Nenhuma / Todo silêncio.
 
 
 
a voz pequena que andou calada
ou sufocada
pelo infernal mormaço
agora canta
se desprendeu
do peso da matéria.bruta
e canta brumas
enquanto sopra
folhas de dente-de-leão no vento
 
_
 
a noite — está repleta de vozes
vindas de dentro
do coração
 
ouço nitidamente uma canção
 
_
 
 
vozes vindas da alma, das profundezas
(invenções e memórias)
revérbero de vozes mais antigas
repercute o poema
quando bate nas pedras
  — e canta
 
 
_
 
 
finalmente ancorou
e o coração serena — não a voz
 
_
 
 
todas as vozes que um dia julguei
vindas do céu
vinham de dentro
de mim
julgo então não haver céu — ou
eu o contenho
 
_
 
 
diz com o olhos
o que não ousa dizer
a voz
 
resta saber
haverá espelhos?
 
 
_
 
 
a voz
quando se cala
tem a severidade de mil casulos
só o tempo
pode romper o claustro
e libertar as asas
da voz
 
 
_
 
 
a voz que cantava miudezas 
quer voltar 
mas os olhos estão cegos
de tanto olhar lonjuras 
[infecundas e prescindíveis]
 
_
 
 
quebrar o jarro do silêncio
e se fartar da sede
que ele continha
[e esperar pelas chuvas]
água:palavra que transborda
além 
da rispidez das margens
 
 
_
 


Postado originalmente no dia 10 de Julho de 2017 às 07:40

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