Juvenal Bucuane e 'O minuto que vem'

por Ernesto Moamba


 

Escritor moçambicano, nascido a 23 de outubro de 1951, em Xai-Xai, dividiu-se entre a poesia e a prosa. No entanto, os seus primeiros livros, A Raiz e o Canto(1985) e Requiem-Com os Olhos Secos (1987), são de poesia. Em 1989 publicou, em prosa, Xefina e O Segredo da Alma. Em 1992 deu à estampa um novo volume de poemas, Limbo Verde. Bucuane foi diretor e secretário administrativo da revista literária Charrua (1984) e é membro efetivo da Associação de moçambicanos.Sua poesia é plácida e romântica, apresentando a mulher amada como refúgio. Também se inspira nas fontes da tradição oral moçambicana.

 

OBRAS

1985 - A Raiz e o Canto (poesia) 1987 - Requiem com os Olhos Secos (poesia) 1989 - Xefina (romance) 1989 - Segredos da Alma(poesia) 1992 - Limbo Verde (poesia)2009 - Desabafo e Outras Estórias (contos) 2009 - Xefina e Zevo (contos) 2009 - Miliciano e Outros Contos (contos) 2012 - Crendices ou Crenças(romance) 2015 - O Fundo Pardo das Coisas (poesia)

 

 

O minuto que vem

 

Há medo

leio-o

nos rostos dos homens

medo do minuto que vem (?)

Que grande desgraça traz

o minuto que vem?

 

Leio medo

nos rostos dos homens,

rostos que não falam,

mas têm nessa voz muda

o latejar do enigma que emprenha o minuto que vem!

 

Criemos uma canção, homens,

criemos uma canção de luta e de amor

que será de triunfo

no minuto que vem,

sobre o medo e a resignação!

 

Cantemos sobre o medo

do minuto que vem!

 

 

O escritor com pouco mais de 30 anos de carreira vê com bons olhos o estágio actual da literatura moçambicana. O surgimento de novos escritores é um indício da boa saúde da qual goza a literatura de Moçambique. Mas Bucuana lamenta o facto de esse surgimento não ser acompanhado por conselheiros, que pudessem indicar os caminhos a seguir. “Para que os jovens escrevam com qualidade, devem ser acompanhados por escritores consagrados”, acredita.

Aos mais jovens escritores aconselha a apostarem na humildade e na honestidade no que escrevem. Quando fala-se de honestidade na escrita, fala-se da verdade das obras, defende. O escritor deve escrever o que acredita. “O escritor é veiculador de conhecimento, não se pode fazer com que as pessoas leiam falsidade, sob pena de destruir o espírito da sociedade” adverte.

Bucuane não cansa de escrever. Tem no momento vários livros na fase final. Em poesia tem dois livros quase terminados - no momento, só está a burilar, corrigindo. Em prosa tem um, em fase finalização.

 

Por Ernesto Moamba

 

__

 
 
 


Postado originalmente no dia 11 de Agosto de 2020 às 10:09

Leia também



Poemas de Luta e de Terra

por Patativa do Assaré



Leia +