Quatro Poemas Traduzidos

por Federico Garcia Lorca


Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de junho de 1898 — Granada, 18 de agosto de 1936) foi um poeta e dramaturgo espanhol, e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola. Os seus primeiros trabalhos tratavam de temas relativos à Anadaluzia, seu folclore e costumes, incluindo sua relação com os povos ciganos. Em seguida Lorca intensificou a tendência surrealista de sua poesia quando teve contato com o pintor Salvador Dali. Sua morte, envolta em mistérios e interpretações díspares, ora é atribuida à sua orientação sexual, ora se refere ao apoio que o poeta teria demonstrato ao movimento da Frente Popular Marxista.
 
 
 
 
 
 
As seis cordas
 
 
O violão
faz o sonho chorar.
O soluço das almas
perdidas
escapa por seu bocal
redondo.
E como uma tarântula
tece uma grande estrela
para caçar os suspiros
que flutuam em negro
tanque de madeira.
 
 
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O povo
 
 
Sobre o monte despido
um calvário.
Água clara
e as oliveiras centenárias.
Pelas ruelas
homens mascarados,
e nas torres
setas girando.
Eternamente
girando.
Oh povo perdido,
na Andaluzia do pranto!
 
 
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Canção tonta
 
 
Mamãe,
eu quero ser de prata.
 
Filho,
sentirás muito frio!
 
Mamãe,
eu quero ser de água.
 
Filho,
sentirás muito frio!
 
Mamãe,
borda-me em tua almofada.
 
Isso sim,
agora mesmo!
 
 
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Baco
 
 
Verde rumor intacto
a figueira estende os braços.
 
Como uma pantera, à sombra,
espreita a minha sombra lírica.
 
A lua conta os cachorros.
Ela se engana e começa de novo.
 
Ontem, amanhã, negro e verde,
envolve-me com a coroa de louro.
 
Quem te desejava como eu,
se me mudara o coração?
 
e a figueira me grita e cresce
terrível e multiplicada.
 
 
-
Os quatro poemas acima foram retirados da obra ANTOLOGIA POÉTICA Federico Garcia Lorca - editada pelo Club Italiano dei Lettori e traduzidos do espanhol pelo poeta André Merez.
 
 
 


Postado originalmente no dia 20 de Julho de 2017 às 11:49

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